Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

{ Uma tarde passada no hospital. }

stet.jpg

 

Hoje foi dia de consulta de oftalmologia no hospital, depois de 1 ano e 8 dias à espera e sendo o caso até gravezito.

Poderia escrever um livro acerca desta tarde mas prefiro resumir muito sucintamente o que tenho para dizer:

 

- Consultas nos nossos hospitais suck! (pelo menos em alguns deles. Aguenta pobre!);

 

- Meia hora à espera SÓ para chegar à parte da secretaria; Haja paciência!);

 

- Secar duas horas à espera que nos chamem e quando finalmente o fazem e entramos no gabinte dos testes primários, ser-nos dito que já fomos chamados três vezes!!! eu tenho ouvidos de tísica, vim directamente da receção para a sala de espera e não ouvi nada...!!! WTF?!? Para a próxima é favor carregar no intercomunicador! ( Já ouvi desculpas melhores. Haja paciência - take 2!);

 

- A sala de espera foi invadida por uma pseudo-artista, com mania de vedeta. (Este tópico vai dar um post!);

 

- O médico pareceu-me impecável, apesar do seu ar de cientista louco. (Isto salvou a tarde! )

 

 

 

Estou aqui em pulgas...!

E não, não são as pulgas do cão! Os meus pais foram a uma consulta de oftalmologia no hospital por causa da catarata do meu pai. A questão é: será que era para fazer cirurgia à catarata? Mandaram levar todos os exames que tinha feito mas na carta que recebeu não esclarecia para quê... Já tentei ligar à minha mãe mas não tem rede... Grunf!

 

Se eu soubesse roer unhas, garanto-vos que já não tinha pontas dos dedos!

 

Adenda: Depois de tanta preocupação, o meu pai não fez mais nada senão colocar umas gostas nos olhos para ser, mais uma vez, observado.

Problemas De Interpretação.

Cheguei a casa morta de calor e cansaço. Ainda não tinha dado dois passos, já ela estava em stress a dizer-me que o meu pai tinha ido para o hospital. Como já estou habituada ao histerismo exagerado dela e às situações de treta, entrei para o meu quarto e coloquei as minhas coisas em cima da cama.

 

Então ela explicou-se um pouco melhor: o meu tio tinha-lhe ligado a dizer que uma pessoa que estava a trabalhar com o meu pai lhe dita dito que tinha ido para o hospital. Fiquei logo com os dois pés atrás, porque o meu sexto sentido assim me comandou. com a calma possível, fiz as perguntas da praxe e liguei ao meu irmão a explicar o sucedido. Até a ele lhe pareceu esta história pouco credível.

 

Ele fez alguns telefonemas e descobriu que, afinal, o meu pai foi com um vizinho AO hospital e não PARA o hospital. Estão a ver a diferença? Percebem como umas palavrinhas de poucas letras podem alterar o significado completo de uma frase? Como umas singelas palavras simples podem originar tamanha confusão?

 

A minha mãe entrou em paranóia completa. Enfiou-se no WC com dores de barriga e nem se deu ao trabalho de deslindar a história. Preferiu entrar num estado de histeria e paranóia despropositada e eu aqui é que tenho de aguentar os nervos dela. Tenho as costas largas. E não me enervo, segundo a opinião dela. Agora está para ali deitada a sentir-se mal. Pudera! Eu até nem digo mais nada...

 

Foi hoje à médica. Emagreceu imenso porque não come devido aos nervos. E eu vou engordando, graças aos nervos. A médica disse-lhe que nós tínhamos de estar do lado dela, e de lhe dar apoio porque ela tem razão.Ela tem razão em enervar-se mas depois perde a razão com as atitudes e comportamentos dela. Mas ela não compreende nem aceita isso. Acusa-nos de não estarmos do lado dela mas nós até estamos. Só não suportamos os nervos sistemáticos dela, o picar constante, o dizer as mesmas coisas vezes atrás de vezes sem conta.

 

Ela precisa de apio. E então e eu? Chego ao ponto de ter de por uns phones e ouvir música porque já não a aguento mais. Queixa-se que não tem ninguém com quem falar por isso tem de desabafar connosco. Mas ela tem amigas.

E então e eu? Eu engulo calada e sem opção de querer ouvir ou não o que ela diz, sem opção de querer ou não ser envolvida nesta porcaria toda. Tem uma grande depressão em cima. E então eu? Estou tão bem ou tão mal que não me consigo concentrar, não consigo memorizar nada, sinto-me um trapo.

 

Mas não tenho razão para andar deprimida, triste, sem vontade de nada, sem concentração e distraída. Acha ela. Mas eu tenho as costas largas e lá vou aguentando. Se não fossem as lágrimas que me vão saltando dos olhos...

 

Um Sábado, Uma Amigdalite E Muitas Voltas.

 

 

Como os meus ovos do pescoço não querem remeter-se à sua insignificância, tive de recorrer, de novo, a ajuda médica.

 

Na sexta-feira não tinha hipótese de ir à minha médica, a não ser que faltasse às aulas e depois fosse despedida, e urgências (SAP) no meu centro de saúde só ao sábado.

 

Levantei-me cedo para me dirigir ao centro de saúdo e ser observada por um médico. Entre o tirar senha, fazer a inscrição e fazer conjecturas acerca das doenças dos outros, gramei 45 minutos de seca até ser chamada para ir até um gabinete.

 

Apanhei uma médica muito simpática que me disse logo que no meu galinheiro – entenda-se garganta – o ovo de um lado era uma amigdalite e do outro era uma “papeira”. “Papeira?! Mas Sra. Dra. Eu tive papeira dos dois lados quando miúda…!”

“É uma papeira mas não é viral”, fiquei na mesma. Será que ela não queria dizer uma “papada”? Conversa para aqui, conversa para ali e um dos ovinhos podia ser uma “parodontite”.

 

Bom, a médica entendeu que eu teria de ser observada com urgência por um otorrino. Escreveu uma carta fechada para que eu entregasse no hospital assim que lá chegasse.

O único hospital em que tinha otorrino era o de São José. Ainda bem que não era o hospital a que pertenço senão ainda lá estava esta hora!

 

Atravessei Lisboa de metro, com um dia de sol espectacular como estava, ganhei fôlego para subir a calçada até ao hospital e coragem para secar nas urgências…

Fiz a inscrição e fui à triagem num minuto, depois fui sentar-me à espera que me chamassem. Passei o tempo entretida a ver um velhote ser endrominado pela máquina dos cafés, até que decidiu ir comer uma “bucha” a outro lado.

 

Meia hora depois de ter entrado no hospital, fui chamada. Luzinhas e espátulas ouvidos e boca adentro e ainda um espelhinho igual àqueles do dentista, aquecido e enfiado goelas abaixo… bolas, que aquilo estava quente!!!

 

Resultado: a infecção da amigdalite passou para os gânglios cervicais (não sei porquê mas não gostei nada disto…!). Novo antibiótico e novo anti-inflamatório e visita obrigatória e urgente à médica de família, no prazo de três dias caso os ovos não derretessem desaparecessem.

 

Os meus ovinhos estão mais baixo mas ainda não desapareceram. Estou com um pouco de receio do que possa acontecer se não desaparecerem. E ainda mais receio tenho se isto resolver causar mais algum “efeito colateral”, digamos assim…

 

Sudenly Surgery!

 

A minha mãe foi hoje operada à vesícula. Foi um dia inteiro passado no hospital. E sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião, para já nem mencionar os kilómetros que fiz lá dentro.

 

O tempo de espera agudiza o nervoso miudinho e a ansiedade. É talvez das piores fases pré-cirurgia. Como a minha mãe já tinha todos os exames feitos, não foi em “excursão” fazê-los com o grupo dos futurs operados. Pela lógica da batata, ela deveria ter sido das primeiras pessoas a quem a cama seria atribuída. Mas não. Esteve desde as 11 da manhã até às 2 da tarde à espera.

 

Procedimentos efectuados (questionário, catéteres e vestuário), voltámos a esperar mais um pouco. A minha mãe travou logo conhecimento com o vizinho da frente que tinha feito a mesma cirurgia que ela de manhã, e com a senhora que estava de visita ao marido que se encontrava internado e ligado às máquinas há 3 meses.

Esta conversa acabou por ser um momento de descompressão pois devido ao nervoso, a minha mãe tinha a tensão altíssima.

 

Às 4 horas tinha chegado a vez da minha mãe descer para o bloco operatório.

Aproveitei para ir comer algo e entreter algum tempo, li uma revista cor-de-rosa (em momentos de tensão não me consigo concentrar para ler livros), joguei tetris no telemóvel, falei como toda a gente e mais alguém e calcorreei aqueles corredores do hospital mais de 500 vezes.

 

Depois aconteceu algo que mexeu bastante comigo mas que eu já suspeitava…

Tinha ouvido um médico falar com a senhora cujo marido estava ligado à máquina. Não ouvi a conversa sequer mas adivinhei intimamente o que se iria passar.

Acabara de sair do elevador e entrar na sala de espera quando vejo a tal senhora. Aproxima-se de mim e diz-me “ele já se foi…” e desfaz-se em lágrimas. Custou-me tanto ouvir aquilo. Porque imaginei o sofrimento daquela mulher ao ver o marido a definhar e a ficar dependente de uma máquina. As visitas diárias a um ser vegetativo mas que ela tinha esperança de ainda voltar a ver reagir. A adiar uma morte inadiável.

Dei um abraço e um beijinho à senhora, disse meia dúzia de palavras de consolo – se é que pode haver algumas numa altura destas – e desejei-lhe muita força e coragem.

Conforme a senhora me vira as costas, desataram a cair-me as lágrimas como se fosse por alguém que eu já conhecesse há algum tempo. Custou-me aquela história de vida que se desfez em fumo numa questão de segundos.

 

Contei todos os segundos e minutos à espera de ver a porta dos elevadores abrir-se e surgir a minha mãe. Espreitei o quarto dela vezes sem conta.

Passou uma hora… duas horas… três horas… e a preocupação a começar a crescer. Ao fim de quatro horas lá dá ela entrada no quarto.

 

Não é que a meio da cirurgia, a minha mãe teve um ataque de asma? Isto deve ter atrasado tudo. Mas quando a vejo vir, acordada e aparentemente bem, foi um alívio.

Como já estava fora da hora das visitas, apenas verifiquei se estava tudo bem pois ela estava bem disposta. Pormenores da cirurgia só amanhã mesmo. Saí do hospital cansadíssima mas bastante mais aliviada!

 

 

Há Um Ano atrás.

Faz hoje um ano que fiz a minha cirurgia, lembram-se? A esta hora ainda estava no recobro, com uma moka terrível. Daquelas que nem se consegue abrir os olhos.

 
A esta altura ainda andavam de volta de mim a perguntar se me sentia bem – tinha-me sentido bastante maldisposta – e se já conseguia mexer as pernas. Eu não sentia nada mas que via umas coisas em forma de pernas a levantar sempre que o meu cérebro mandava, via!
 
Em jeito de balanço, posso dizer que fiquei com uma cratera, agora já fechada, de fazer inveja ao Grand Canyon. E que isto não ficou a 100%. Desapareceu com a maleita mas fiquei com um efeito colateral de que tinha sido avisada, embora a um nível muito mínimo.
 
Desta já me safei. Esperemos que para sempre! Lembram-se do medo que tinha?
 
 

 

A Vida a Correr

Último dia da semana e mais um dia de correrias malucas.

Acordei cedíssimo pois tive de ir fazer o penso antes de ir ao hospital. E isto para me precaver de surpresas.

Foi num instante e o enfermeiro R. ainda gozou comigo por eu estar ali tão cedo. Já vos disse que o meu buraquinho e eu já somos mais conhecidos no centro de saúde que o Papa em Roma, não já?

Só mais uma coisinha… o penso ficou tão bem feito que caiu logo a compressa de inadine durante a manhã. Tou feita com estas enfermeiras!

 

Apanhei o bus até ao hospital e fui à procura da Dra. W. Indicaram-me qual era o gabinete dela e fui especar-me à porta. Dez para as dez. Ela ainda não tinha chegado e nem estava mais nenhum doente ali. Comecei a pensar se não me teriam enfiado o barrete. Dei o benefício da dúvida. Dez e um quarto. Nada. Chegou um lutador-de-sumo que andava louco à procura do gabinete da médica. Perguntou às auxiliares todas pelo gabinete. Eu disse-lhe que o gabinete era aquele mas ele parecia um toiro enraivecido e não me ouviu… Ou será que falei muito baixinho?

 

A médica chegou era um quarto para as onze. “Ataquei-a” logo! Expliquei-lhe a situação mas ela tinha “milhentas pessoas” (palavras dela) e não tinha tempo para me ver. Ainda me perguntou se eu queria que me visse a loca. Eu expliquei que já tinha ido fazer penso e que ela já estava muito pequena. Acabou por não me ver. Estão a ver porque é que eu me precavi? O meu sexto sentido é muito forte e eu as coisas. Bom, a médica passou-me um papelinho para eu marcar consulta para dia 12.

 

Fui tirar a senha, como é prática corrente, e fui sentar-me preparada para uma grande seca novamente. Desta vez não facilitei, e nem confiei em ninguém para marcação de consulta. Sequei durante quarenta-e-cinco-minutos!!! Mas sai de lá com a consulta marcada… vamos lá ver se não terei de ir ter com a médica antes.

 

Mais um contratempo escolar. Um puto do 1º ano que até agora nem se tinha notado que existia. Hoje armou-se ao pingarelho e desatou a fazer e a dizer o que lhe apeteceu. Avisei-o uma, avisei-o duas, avisei-o três. À quarta mandei-o levantar-se para vir ficar de castigo, em pé junto ao quadro. RECUSOU-SE!!! A minha alma está parva… Nunca um marmanjo dos grandes se atreveu a não cumprir uma “ordem” minha e agora estes pirralhos já têm a mania que são gente?! Fui buscá-lo para junto do quadro. Desatou a chorar, fingidamente, para perturbar ainda mais a aula. “Ai é assim?”, pensei eu com os meus botões. Peguei no puto, pu-lo lá fora à porta da sala e disse-lhe: “Quando acabares de chorar tudo, voltas novamente para a sala”. Remédio santo. Parou de chorar em 10 segundos. Passados 5 minutos, regressou à sala mas continuou o castigo de pé ao lado do quadro. Ficou sem fazer a actividade que eu tinha levado para a aula e fiz-lhe o aviso que aquela tinha sido a última vez que se tinha portado assim na minha aula pois se tentasse novamente ia para o Dr. J.R. e levava um recado para casa. Estes putos extravasam cá com uma pinta… Lamento, mas insolência e falta de respeito não admito. E eu sou muito “softzinha”. Se fosse os profes titulares tinha sido muitíssimo pior. Enfim, mais um espinho.

 

Todos me dizem que eu ando com um ar muito abatido e que não estou bem… I wonder why?! :/

Remar Contra a Maré

 

Fui ao hospital para falar com a médica que me tem acompanhado na cirurgia. A loca tem que ser vista novamente e alem disso, há o problema da marcação da suposta consulta.

Entrei, fui à procura do gabinete com o nome dela. Nada. Nem nome, nem médica. Não estava a dar consulta.

Fui expor o meu caso a uma auxiliar que estava à entrada e que depreendo que ali estava para ajudar as pessoas. Não sei. Ela reencaminhou-me para o balcão da recepção. Expus novamente o meu caso. Mandaram-se ir tirar uma senha para o guichet das informações. Mais uma exposição do meu caso. Verificaram no computador se tinha alguma consulta marcada. Mais uma vez, nada. Mandaram-me ir à secretaria da cirurgia. Nova exposição do caso. Nova consulta ao computador e, mais uma vez, nada. Disseram-me para voltar lá sexta-feira pois ela irá dar consulta. Será?

 

Sai do hospital e fui directamente ao centro de saúde fazer o penso. Hoje foi uma nova que fez praqui uma porcaria qualquer. Umas são tão jeitosinhas e outras são tão trapalhonazinhas…

 

Hoje não foi dia de aulas e nem foi dia de nada. Senti-me doente todo o dia, por isso, não fiz nada e estive a vegetar em cima da minha cama…

 

Estou farta que o meu irmão não compreenda que o Bóbi não é uma pessoa e não compreende as consequências dos seus actos. O meu irmão bate ao cão por asneiras que o bicho faz e cuja culpa é dele, que o pôs maluco a correr de um lado para o outro.

Claro que eu salto logo em defesa do cão o que gera, imediatamente, uma enorme discussão em que vem tudo defender o menino. Eu é que sou sempre a má e eu é que tenho sempre a culpa de tudo. Ele grita comigo e eu é que tenho de me rebaixar a ele?! Estas cenas acabam comigo…

Fiz um pacto de silêncio: até amanhã não ouvem mais a minha voz aqui em casa.

 

Estamos Mal de Saúde

Ontem foi dia de consulta. Mais uma seca no hospital que ontem estava particularmente repleto e desorganizado. Os corredores estavam atafulhados de gente e mal se conseguia passar. Era ouvir as reclamações típicas de quem não tem consulta e quer à força ser atendido e outras cenas que tais.

Fiquei a saber que estava em dívida para com o hospital. Logo eu que, por acos, até estou isenta de pagar exames, taxas moderadoras e afins. Fui logo averiguar o que se passava. Segundo a moça da secretaria "o hospital não faz o cruzamento de sistemas com o centro de saúde a não ser que seja preciso".

Tive que ir tratar do assunto à tesouraria. Descobri, então, que tinha uma conta de 3 euros para pagar de 2004!!! Como já lá vão 3  anos e quantia era tão pouca, resolvi pagá-la logo na altura. É que podiam lembrar-se de me multar e ainda ter que pagar mais. Após consulta de 3 ou 4 computadores, vieram dizer que afinal não tinha de pagar nada pois tinha sido um lançamento mal feito. Sem comentários porque senão teria muito que dizer...

Desta vez fui vista pela médica que também me operou. Ela é muito atenciosa e simpática. Achou que isto estava muito bem. Pudera! Com os cuidados todos que tenho...

Fiquei contente e mais aliviada. Já a enfermeira do centro de saúde também me tinha dito o mesmo.

Ontem custou-me bastante a fazer o penso e hoje também. Parece que isto está agora numa fase em que toca num músculo ou nalguma zona mais sensível. Argh! Amanhã há mais...

Continuo naquele marasmo, pois qualquer coisinha que faça cansa-me logo. Tenho ali as planificações a olhar para mim mas eu nem olho para elas. Tou a deixar tudo para as últimas. Depois é trabalhar contra o tempo. Será que eu só funciono bem sob pressão? é um caso a pensar...

Em Fase de Provação!

Hesitei em colocar aqui todos os pormenores da minha cirurgia, Mas depois pensei que poderia ser útil a alguém que fosse passar pelo mesmo que eu. Pesquisei sobre o assunto para saber o que realmente me esperava, mas não encontrei nada de específico, concreto e objectivo. Daí a minha decisão em contar tudo.
 
Fiz o internamento no hospital Fernando Fonseca às 9 horas da manhã. Fui acompanhada pelo N., pela minha mãe e pela minha sogra que, por norma do hospital, teve de esperar lá fora.
 
Mandaram-me esperar numa sala até que me chamassem. Após mais de uma hora de espera, veio um auxiliar buscar-me e a outras pessoas para fazermos os exames pré-operatórios.
O 1º exame que fiz foi as análises. E aqui tem início a fase da minha vida a que eu chamo PROVAÇÃO.
Fui a última do grupo a fazer as análises e a que mais tempo levou. Acontece que as minhas veias são muito fininhas e dançarinas, pelo que as analistas têm sempre dificuldade em picar-me ( só uma vez e no sítio certo!). Daí o meu medo de agulhas.
Apesar da analista ser uma moça nova, devia ter bastante experiência pois, apesar das dificuldades acertou à primeira. Mas mesmo assim fiquei com o braço negro. De seguida, fiz o ECG e o Raio X.
Voltámos todos, novamente, para a sala de espera.
 
Finalmente, começaram a chamar-nos para nos atribuir cama. O atraso na sua atribuição deveu-se ao facto destas serem poucas para os homens.
Eu era a única mulher. Foi-me atribuída a cama 19 do maior quarto feminino daquela ala.
Troquei a minha roupa pela do hospital e mandaram-me vestir umas meias brancas elásticas acima do joelho, horríveis e apertadas. Ainda por cima tenho a “coxa grossa”. Não as suportava e dobrei-as até à hora da cirurgia. Fui alvo de gozo pois parecia o Dartacão.
 
Depois vieram fazer-me algumas perguntas para colocar no meu processo. Eu estava à espera, a qualquer momento, de outra coisa que eu tanto temia: a colocação do cateter. Veio um enfermeiro novo ter comigo para o colocar. Novamente palpação das veias e a constatação de que elas são muito chatas. Expliquei-lhe que o meu braço esquerdo era melhor pois é onde me picam sempre, ao que ele respondeu, com are de “papo seco”, que não tinha nada a ver e começou a colocar-me à mesma o cateter na mão direita. De repente, diz-me “já não dá, a veia já rebentou”. Só me apeteceu mandá-lo para o inferno. Eu não o tinha avisado?! Tinha de o colocar na mão esquerda e passar por aquelas dores de novo.
 
A esta altura, eu já estava cheia de dores de cabeça de não ter comido nem bebido nada em todo o dia. Só pude comer até às 7.30 da manhã e com 4 clisteres em cima estava fraquíssima. Já nem fome sentia.
 
Eram 18.40 vieram buscar-me para a cirurgia. Tinham-me dito que seria operada depois de almoço…
Veio um auxiliar chanfrado buscar-me, Desatou a empurrar a maca com toda a força e a correr. Não sei como não tive um acidente de percurso, tipo ir contra alguma parede ou esquina.
Quando cheguei ao bloco, mandaram-me passar para uma maca tipo passadeira rolante que me passou para outra maca do outro lado do bloco operatório.
Já não podia escapar, agora é que iam ser elas!
Entrei na sala de cirurgia e foi tudo muito rápido (pelo menos pareceu). As anestesistas eram simpáticas e bem dispostas. Tinha chegado o momento da raquianestesia (tipo epidural). Levei 6 ou 7 picadelas na coluna. Algumas doeram-me, outras nem por isso. Imediatamente comecei a sentir uma sensação estranha nos dedos dos pés. Era a anestesia a fazer efeito.
Pensei que não iria sentir dor mas que iria sentir o que iam fazer. Mas afina enganei-me porque não senti absolutamente nada.
Assim que começaram o procedimento cirúrgico, senti um cheiro a chamuscado e perguntei se aquele “cheiro a churrasco” era meu. Riram-se e reponderam-me que sim. Supus , então, que estariam a utilizar laser.
Entretanto, comecei a sentir-me mal disposta. Pudera! Com aquela dose brutal de anestesia… Elas injectaram-me uma substância para que me parasse a indisposição e não vomitasse.
A cirurgia não me pareceu que tivesse durado muito tempo mas a verdade é que não tenho consciência do tempo que estive lá dentro.
 
Fui para a sala de recobro e vinham constantemente ver-me e perguntar se estava bem e se já mexia as pernas. Levei muito tempo a mexer qualquer coisa. Via tudo a ir embora e eu a ficar ali. Primeiro mexi a anca e só depois foi a vez das pernas embora não tivesse qualquer percepção do seu movimento. O nosso cérebro é mesmo uma coisa fenomenal!!
 
Voltei, depois, para o quarto e só então me apercebi das horas pelos relógios dos corredores. Eram 21.30!
Quando cheguei ao quarto, estavam lá o N. e a minha mãe que, por especial favor, foi-lhes permitido que ficassem à minha espera.
 
Deram-me uma chazinho – única “refeição” desse dia - às tantas da noite e continuei naquela sonolência que deve ser própria. Apesar da sonolência, não consegui dormir nada:
 
1º As meias elásticas apertavam-me e eu não as podia tirar ( fiquei cheia de vergões vermelhos);
2º Estava sempre a tentar mexer os dedos dos pés ( o que só aconteceu já quase de manhã);
3º Doía-me as costas de estar tantas horas naquela posição;
4º Olhava, sistematicamente, pela janela para ver se já era dia (a vontade de sair dali era tanta…!)
5º As minhas colegas de quarto deram um “concerto” espectacular. Cada uma ressonava à sua maneira e uma delas completava o concerto com uns “acordes vindos do interior” fora de série.
 
A meio da noite vieram dar-me mais uma injecção. Desta vez na barriga. “Não vai doer nada, querida”, disse a enfermeira e… Pimba! “não dói nada o caraças”, pensei eu com uma sensação de dor/ardor na barriga. Mas depois de tntas picas, foi só mais uma.
 
Finalmente, a amanhã chegou. Estávamos todas ansiosas pela alta. Enquanto esperávamos, fomos tomar banho, tomar o pequeno-almoço (há mais de 24 horas que não me passava nada pelo estreito), vestir e esperar.
Por fim, a médica veio observar-me, falar comigo, fazer-me várias recomendações, dar-me alta e marcar nova consulta.
 
Liguei ao N. para me ir buscar mas como tinha “encomendado” o meu almoço teria de esperar um bocadinho. Como só podia comer coisas moles, a ementa era sopa, empadão e torta de coco. CHLEP!
Quando o almoço chegou, as minhas papilas gustativas bateram palmas de contentamento. Primeiro a sopa: Arrrgh! Sem sal, sem azeite e muiiita batata. O segundo prato: Hã?! Não se enganaram? Onde está o meu empadão?!? Almôndegas de peru… I hate PERU! E a sobremesa?? Quem a comeu? Minha rica tortinha de coco! A torta tinha sido transformada em… BANANA! Chuif!
Vim-me embora desolada por não comer a minha tortinha e ter sido enganada…
 
Agora estou na fase mais crítica disto tudo. Tenho de ir todos os dias ao centro de saúde fazer o penso à minha fístula e à minha fissura descoberta no acto da cirurgia. Não me bastava um mal, tinham que ser dois. Dependo de terceiros para me tratarem porque eu não chego lá. É o n. que é o “enfermeiro” pois a minha mãe não consegue e a minha sogra ia tendo um piripaki. Parece que a cratera é bem grande. É uma ferida aberta que tem de secar de dentro para fora. Isto é coisa para mais de um mês :/. Quase não consigo andar – tenho aquele “duck walk” – e sentar é um pouco complicado. Passo os dias a ver TV deitada ou a ler qualquer coisa que não exija muito da minha pobre molécula. Aos terceiros falta um cadinho de paciência e compreensão. Só quem passa por isto sabe dar o valor.
 
Como já devem ter percebido, o ridículo está sempre presente na minha vida, mesmo nas horas menos prováveis. Pelo menos deixa histórias para contar…